“O jovem não é o amanhã, ele é o agora.”
Betinho

Revista Veja
23 de Fevereiro de 2003

 
 
 

BRASIL EM NÚMEROS
QUEM SÃO AS CRIANÇAS DE RUA E A JUVENTUDE ABANDONADA?
O QUE LEVA UMA CRIANÇA A OPTAR POR VIVER NAS RUAS?

BRASIL EM NÚMEROS

O Brasil tem uma população de 170 milhões de pessoas.

80% da população esta concentrada nas áreas urbanas.

49% da população do Brasil tem menos de 25 anos.

O salário mínimo no Brasil e de R$ 240 (moeda local) cerca de US$ 85. Um dólar e equivalente a aproximadamente 2,8 Reais

Estima-se que 47% da população viva abaixo da linha de pobreza.

Desse total, 61.385,672 são crianças com menos de 19 anos, cujas famílias tem uma renda de menos de US$ 36 por mês.

Por volta dos 14 anos de idade, quase 80% das crianças não acompanham o ensino (estão atrasadas) ou não freqüentam a escola. Sendo que, ao chegar a idade de 18 anos, esse percentual cresce para 90%.

Menos de 30% da população sabe ler ou escrever, ou compreender um texto simples.

 

Fontes: CIESP e IBGE

Jornal do Brasil
7 de Fevereiro de 2002

QUEM SÃO AS CRIANÇAS DE RUA E A JUVENTUDE ABANDONADA?

A ONU – Organização das Nações Unidas define uma criança de rua como:

A população das ruas é dividida em diversos grupos:

Crianças que passam parte ou todo o seu dia na rua na tentativa de ganhar algum dinheiro para sua família.

Crianças que vivem nas ruas e vão para casa de tempos em tempos.

Crianças que somente retornam aos seus lares nos finais de semana.

Crianças que passam os dias e as noites nas ruas e voltam para casa ocasionalmente.

Uma vez tendo experimentado a vida nas ruas, a criança tende a permanecer nelas cada vez mais. Devido a distância de suas casas, o custo de transporte e a falta da intervenção dos pais, as crianças eventualmente se afastam de qualquer vida familiar que já possam ter tido.

A maioria das pessoas acredita que a “criança de rua” é uma ameaça ou um ladrão, um “pivete” ou “moleque” como são chamados no Brasil. As crianças de rua freqüentemente vendem doces, polem sapatos ou acabam se envolvendo em pequenas atividades ilegais que conduzem a crimes mais sérios. São temidos pela sociedade, uma vez que representam uma maioria de pessoas excluídas socialmente.

Assim, quando nós dizemos “crianças de rua” e “juventude abandonada” estamos nos referindo a relação existente entre crianças pobres e carentes e as ruas. Nós estamos falando de um segmento pobre da população que precisa lidar com as ruas no seu dia-a-dia.

 

O QUE LEVA UMA CRIANÇA A OPTAR POR VIVER NAS RUAS?

Apesar do perigo, a rua é considerada uma alternativa para o modo de vida atual da criança.

Estas crianças vêm quase sempre das favelas ou barracos que cercam as maiores cidades do Brasil

As favelas não dão esperança alguma de futuro para as crianças devido à falta de opções como condições de moradia muito pobres e nenhum espaço de lazer.

Favelas são geralmente comandadas por traficantes, que recrutam crianças a partir de 8 ou 9 anos para trabalhar para eles. Muito provavelmente os meninos e meninas envolvidos com o tráfico de drogas ainda crianças não viverão para se tornarem adultos, nem mesmo adolescentes. Para escapar do mundo das drogas a vida nas ruas é vista freqüentemente como a única possibilidade de sobrevivência da criança.

Algumas das relações familiares são marcadas pelo crime, drogas ou violência doméstica e a criança foge para as ruas a fim de fugir dessa realidade.

Algumas crianças são forçadas pela família a ir às ruas ganhar o dinheiro para a família.

A maioria das crianças vem de famílias instáveis, com vida familiar desestruturada e sem raízes e condições seguras, o que deixa as portas abertas para experimentar a vida nas ruas.

A rua poderia ser simplesmente um lugar para passar o tempo, uma “vontade” de aventura.

Em todos os casos, a rua se se torna uma alternativa viável devido ao simples fato de que não há nenhum lugar apropriado para essas crianças e adolescente irem – não há opções em suas comunidades.

Viver nas ruas não deve ser considerado uma opção para essas crianças e sim um acidente em suas vidas - uma época em que tiveram que lutar por sua vida sob circunstâncias adversas.