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"O senhor da terra recomenda aos seus guerreiros: crescer e produzir não obstante o solo e sua qualidade”. Wanda Cristina Araujo, Tia Wanda (43 anos) Há três anos eu tive o privilégio de conhecer Wanda Cristina Araújo (carinhosamente chamada por todos de Tia Wanda). Desde 1982 Tia Wanda tem sido uma líder no movimento de reforma social no Rio de Janeiro. Quando a conheci, ela estava encarregada do “Casa da Vila”, uma moradia alternativa para cerca de 20 meninos sem teto com idades que variavam de 8 a 18 anos – uma tarefa nada fácil. Não demorou muito para que eu pudesse perceber o quão especial essa mulher é na vida desses meninos. Enquanto ela me mostrava as facilidades do local, me explicava qual era a metodologia do grupo – coral, escola obrigatória, trabalho para aqueles que já tinham idade para tal, reuniões “familiares” à noite, não havia tranca nas portas e nem mesmo nos armários dos meninos, onde eles mantinham seus pertences de valores de maneira impecável. O lugar era imaculado e os meninos felizes e bem comportados. O objetivo era proporcionar aos meninos um lugar onde eles pudessem se sentir seguros e amados, um lugar no qual existisse o sentimento de pertencer e onde eles pudessem crescer e tornar-se cidadãos bons e produtivos do mundo, apesar de suas raízes iniciais. Em alguns casos, esses meninos podiam reconectar-se com suas famílias, em outros esses meninos estavam simplesmente construindo seus futuros... e até construindo pessoalmente suas próprias casas. Sem a necessidade de falar mais nada, eu estava e ainda estou impressionada com a força dessa mulher. Desde 2000, Wanda é diretora do Projeto Sitio Vila Meu Lar em um outro subúrbio do Rio de Janeiro, onde coordena novamente um grupo de aproximadamente 20 meninos, além do programa de rádio de encorajamento para as mulheres da comunidade e um centro também. O mesmo brilhantismo reflete-se nela e nos meninos e é fácil perceber como a comunidade a tem como uma líder. Recentemente eu aprendi de onde esse brilho e força vêm.Tia Wanda descreve-se como “uma guerreira negra – uma Carioca que gosta do mar, filha de Buca, um educador por dom, um jornalista de instrução. Filha da terra e do vento, elementos importantes de força e equilíbrio, no Axé de OMULU e o sentido de OYA. A natureza é a minha espiritualidade e fé é a mãe de todas razões”. “Minha ligação com os assuntos sociais tiveram início com os ensinamentos do meu pai em casa e ganhou força quando me uní ao movimento negro no Rio de Janeiro”. Nós discutimos o “ser” negro, diferenças, pobreza, falta da identidade da informação etc. Por eu ser movida a desafios, decidi que a minha meta de vida seria contribuir para o crescimento e valorização do ser humano em busca de suas histórias e raízes, baseado em suas referências e identidade, promovendo um crescimento e, consequentemente, mudanças nas formas de encarar a vida diária. De acordo com a filosofia do Senhor da Terra que avisa aos seus guerreiros: crescer e produzir, não obstante o solo e sua qualidade, a exigência principal para fazer essa fórmula funcionar com resultados positivos é simplesmente GOSTAR DAS PESSOAS.” Essa guerreira negra é uma inspiração a mim, em minha vida diária, em meu coração e minha alma, e em meu trabalho diário Eu sou grata por ter sido conduzida a cruzar o seu caminho. Ela me aconselha, me guia com a sua experiência, sabedoria, força, amor pelas pessoas, fé e esperança; e por tudo isso eu chamo-a de MEU HERÓI! Lisa Urgo, Agosto de 2002 |
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Vitor (15 anos) Vitor nasceu no violento Complexo da Maré, um conjunto de 15 favelas no Rio de Janeiro, onde o CLUBE DE BOX DA LUTA PELA PAZ é localizado. Vitor teve uma vida muito difícil desde o início; seu pai está preso desde os seus 8 anos de idade e sua mãe acabou por abandoná-lo pouco tempo depois. Ele foi criado pela avó e, aos treze anos, deixou a escola. Aos 15 anos, ele já tinha 2 crianças de diferentes mães, as mães tendo 14 e 16 anos de idade. A violência tem sido algo recorrente na vida de Vitor, o ano passado, seu primo foi morto devido ao seu envolvimento com o tráfico de drogas e quando Vitor chegou pela primeira vez ao CLUBE, ele já possuía/tinha um histórico de envolvimento criminal e formação de ganges/quadrilhas, que dominam a região/área. Desde que se juntou ao CLUBE DE BOX LUTA PELA PAZ a vida de Vitor começou a se tornar melhor. Devido ao esforço de assistentes sociais do CLUBE, e sua bem sucedida participação no CLUBE, Vitor começou a demonstrar uma vontade muito forte de melhorar sua vida. Ele voltou a estudar, participando de um programa do VIVA RIO todas as tardes na escola e foi lhe foi oferecido um trabalho de meio período no cyber-café do VIVA RIO, onde tem aprendido importantes ferramentas de informática. Atualamente, Vítor tem competido como boxeador amador em algumas ocasiões, e tem sido o mensageiro do LUTA PELA PAZ entre seus colegas. |
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