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Taxa de homicídios de negras no Brasil Taxa de homicídios de negras no Brasil é quase o dobro da populacão branca
Pela primeira vez na história, a Organização das Nações Unidas adicionou o indicador violência – além de trabalho, renda e escolaridade - no relatório sobre o desenvolvimento humano sob a ótica racial no Brasil. A idéia foi chamar a atenção para o impacto que a alta dos índices de assassinatos têm causado na esperança de vida do país. Grande parte das vítimas era de jovens negros e moradores de comunidades pobres. O estudo foi divulgado na sexta-feira, 18, dois dias antes do Dia da Consciência Negra no Brasil.
Usando como fonte o Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, e o IBGE, o relatório informa que, em 2001, o índice de assassinatos de homens brancos no país era de 102,3 por cem mil habitantes, marca considerada “escandalosa”. Mais adiante, porém, o relatório informa:
“Para os jovens negros, a taxa era duas vezes maior: 218,5 a cada cem mil deles foram vítimas de assassinato, um risco equivalente ao de morar em países em guerra civil. A maior parte dos jovens negros assassinados vivia em favelas, bairros periféricos e subúrbios das grandes cidades”.
O relatório dedica um capítulo inteiro ao tema violência, segurança pública e cidadania. Nele, a ONU denuncia que o país contabilizou 646.158 assassinatos entre 1980 e 2001, numa taxa que saltou de 11,7 homicídios por cem mil habitantes para 30,6 em duas décadas. Muitas dessas vítimas morreram na guerra de grupos ligados ao tráfico de drogas ou em confronto com policiais.
“Praticamente todas as mulheres já perderam marido, filho, pai ou irmão em comunidades pobres”
A morte violenta de jovens negros de 15 a 24 anos está provocando impacto também no sustento de famílias e na vida das mulheres pobres. Coordenadora do Ceafro, programa de educação e profissionalização para a igualdade racial e de gênero da Universidade Federal da Bahia (UFBa), a socióloga Vilma Reis diz que o problema atinge até os estados do Sul, onde os brancos são ampla maioria.
“Em qualquer comunidade pobre é a mesma coisa: praticamente todas as mulheres já perderam marido, filho, pai ou irmão, mortos pela polícia ou por traficantes”, diz.
“Resta às mulheres uma vida de sacrifícios. Elas criam os filhos sozinhas e, muitas vezes, têm que criar os netos, porque o filho morreu, e sobrinhos. Temos centenas de casos nas favelas do Rio”, completa Ruth Pinheiro, do CAD-Centro de Apoio ao Desenvolvimento.
R$ 67 bilhões para equiparar negros a brancos em educação, saneamento e habitação
Um estudo recente feito pelo jornal Irohin (ligado ao movimento negro) sobre as diferenças de acesso às políticas públicas entre negros e brancos no Brasil estimou o quanto seria necessário que o governo investisse para equiparar a situação das duas populações em relação à educação, habitação e saneamento. A conta, segundo o economista Mário Theodoro, que coordenou a pesquisa, é de R$67,2 bilhões. O valor é quatro vezes maior que os R$15,3 bilhões disponíveis para investimentos do governo neste ano.
O estudo foi feito com base nos dados do IBGE, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) e do Censo Demográfico de 2000.
”O Estado tem que rever suas prioridades. O valor que estimamos para acabar com a desigualdade corresponde a 78% do superávit fiscal acumulado de janeiro a setembro deste ano, de cerca de R$ 85 bilhões”, diz o economista.
Dados da Unesco mostram que, dos 550 mil mortos por arma de fogo no Brasil de 1979 a 2003, 44,1% eram jovens de 15 a 24 anos e, desse grupo, 74,6% eram negros. No ranking mundial de homicídios, o Brasil só perde para Colômbia, África do Sul e Venezuela.
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