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have been great dreamers."
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15 Abr 2004 | Mayra Juca | O Globo
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Alerta vermelho para o futuro do Brasil
Pesquisa mostra aumento dramático
das taxas de homicídios, principalmente
de jovens de 15 a 24 anos

Os números dramáticos
Entre 1980 e 2000, a taxa de homicídios cresceu 130%, com um total de 600 mil brasileiros mortos, o que faz uma média de 30 mil pessoas assassinadas por ano. Com base em dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, foram contabilizados mais de dois milhões de óbitos por causas externas (homicídio, suicídio e acidentes de trânsito) no mesmo período.

Violência contra jovens já é epidemia no país
Os números do IBGE vão servir para fortalecer uma proposta que o Viva Rio já fez ao governo federal: é preciso priorizar o atendimento aos jovens em situação de risco, principalmente os que vivem na periferia das metrópoles.

"A violência contra jovens já é uma epidemia e está dizimando uma geração. O problema, porém, é muito mais grave. Hoje, existem milhares de jovens que são protagonistas dessa violência", diz o sociólogo Rubem César Fernandes, coordenador do Viva Rio.

Ao governo, o Viva Rio mandou um estudo no qual aponta a existência de 30 mil jovens participando da violência armada no Rio de Janeiro. Sem chances de emprego ou de estudos, eles acabam cooptados pela marginalidade. Com isso, passam a viver na dupla condição de protagonistas e alvos da violência. "Antes de mais nada é preciso reconhecer a existência desses jovens armados. A partir daí, temos que traçar políticas para reinseri-los na sociedade legal", diz o sociólogo.

Prevenção urgente
O estudo mostra que os grupos de risco da violência são jovens que vivem em áreas urbanas com alta densidade demográfica (a região metropolitana do Rio de Janeiro, por exemplo, concentra 75% da população do estado), com baixa escolaridade, poucas opções de lazer, famílias desestruturadas e acesso precário à saúde (a região sudeste, considerada a mais violenta do país, tem o menor número de leitos disponíveis para o Sistema Único de Saúde - SUS, segundo dados de 2002).

O Jornal do Brasil destacou dados relativos às famílias desestruturadas no Rio de Janeiro: "No Estado, menos da metade das famílias (44,4%) está enquadrada no modelo convencional, ou seja, com pai, mãe e filhos. Os dados mostraram que existem hoje, em todo o país, 14,6 milhões de famílias nas quais a pessoa de referência é uma mulher".

Para Celso Simões, a violência também coincide com a crise econômica brasileira. "Altas taxas de desemprego estão associadas a altas taxas de violência, portanto é preciso uma política pública objetiva de inserção desses jovens no mercado de trabalho e na educação", afirmou, acrescentando que o forte apelo do consumo leva os jovens a buscarem alternativas para consumir, entrando para o crime.

Fontes: O Globo (Antonio Werneck, Chico Otavio e Letícia Helena), Jornal do Brasil, Correio Braziliense.

Nesses 20 anos, a taxa de mortalidade de pessoas do sexo masculino por homicídio passou de 21,2 para 49,7 por cem mil habitantes. O aumento nos índices de homicídios ocorreu principalmente durante a década de 90. Nos anos 80, os acidentes de trânsito eram a principal causa externa de
mortes; mas o quadro se alterou na década de seguinte e os homicídios passaram a liderar essas causas.

O Rio é o estado mais violento, segundo o IBGE. A estatística nacional de mortes de homens por arma de fogo foi de 30,9 mortes por cem mil habitantes em 2000. Só no Rio de Janeiro, a média para o mesmo ano foi de 181,6 mortes por cem mil habitantes.

De 1991 a 2000, a taxa de mortalidade de jovens do sexo masculino de 15 a 24 anos por armas de fogo cresceu 95%. Em 2000, os homicídios desta mesma categoria representaram 57,1% do total de mortes por causas externas. "Conseguimos diminuir a mortalidade infantil para nossos jovens começarem a morrer de maneira estúpida", lamentou o demógrafo Celso Simões, um dos coordenadores da pesquisa do IBGE, em reportagem do jornal O Globo.

"Todo o problema se concentra na falta de perspectiva na população jovem de 15 a 24 anos. Eles não têm emprego e a evasão escolar é alta nesta faixa etária. Estão soltos no mundo, disponíveis para serem arregimentados pela marginalidade. O Rio de Janeiro é uma fronteira aberta", disse o pesquisador.

Os principais jornais do Brasil deram destaque ontem
aos dados alarmantes da Síntese de Indicadores Sociais, pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que a violência aumentou em todos os estados do país nos últimos 20 anos.

"A guerra civil brasileira", "Violência mata 30 mil por ano no Brasil", "Violência devasta o Brasil dos jovens" e "Um país massacrado" foram algumas das manchetes estampadas nas primeiras páginas. Em comparação feita pelo jornal O Globo, a violência no Brasil estaria matando três vezes mais que a guerra do Iraque, que em um ano deixou cerca de 10 mil
mortos, e já fez mais que o dobro de vítimas da guerra civil de Angola, que durou 27 anos e matou 350 mil pessoas.

 
 
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