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have been great dreamers."
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Mar de 2004 | Joana Dale| Journal do Brasil
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Moradores pedem paz na Rocinha
Missa de 7º dia pelos três adolescentes mortos no domingo de carnaval foi marcada por protesto
 

 

Uma semana depois da morte de três menores durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar na Rocinha, moradores da comunidade foram às ruas pedir paz e justiça. Munidos de cartazes, bolas brancas e fotos das vítimas nas mãos, parentes, amigos e vizinhos de Liniker Ferreira Medeiros, 17 anos, Leandro Santos da Silva, 16, e Jean Alexandre de Campos, 13, saíram da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem às 16h para percorrer ruas do morro. O protesto foi da Via Ápia, uma das principais ruas da favela, até a Igreja Nossa Senhora Aparecida, no Largo dos Boiadeiros, onde, às 17h, foi celebrada missa de 7º dia.

 

 

A manifestação recebeu o apoio do deputado estadual Alessandro Molon (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, do deputado Chico Alencar (PT-RJ) e do pesquisador Marcelo Freixo, da ONG Justiça Global. Freixo lembrou que esse não foi um caso isolado e cobrou uma resposta do Estado sobre quem foi o responsável pela ação do Bope no domingo de carnaval.

 

 

- Essa manifestação é uma reação da comunidade para cobrar do governo a identificação do responsável pela operação. Ou qualquer policial pode pegar uma arma e fazer isso? Preocupa-me que essa resposta só venha com pressão, e não naturalmente, como deveria ser. E a Ouvidoria da Polícia, é muda? Também não seria interessante uma manifestação do Ministério Público? É preciso mudar esse quadro - indignou-se Freixo.

 

 

- Houve uma chacina. Sem autorização do governo, segundo Garotinho. E os policiais estavam pintados, com a cara preta. Isso também é proibido - afirmou o deputado Chico Alencar, também cobrando do Estado a elucidação das mortes na favela.

 

 

De acordo com Marcelo Freixo, casos como esse, quando esclarecidos, servem para valorizar os bons policiais.

 

 

- A melhor forma de valorizar o policial é identificando e punindo os maus profissionais - sentenciou.

 

 

O entregador Edilson Pereira, 34 anos, pai de Jean, um dos mortos, disse que vai processar o Estado e pedir indenização por danos morais para que o fato não se repita. Ele foi à passeata acompanhado das três filhas e da mulher.

 

 

- Os três meninos eram amigos de infância. O Jean era um bom menino. Todas as suas freguesas da feira gostavam dele e mandaram cartas de apoio para nós. Uma delas até já tinha comparado o material escolar para ele começar as aulas esta semana - disse o pai do adolescente, contando ainda que Jean estava cursando a 4ª série no Colégio Arthur Ramos, na Gávea.

 

 

Antes da missa, a comunidade organizou um ato simbólico perto de um vão no Largo dos Boiadeiros, local onde os rapazes teriam morrido. Deixaram flores, fizeram um minuto de silêncio e, depois, pronunciaram o nome de cada um dos rapazes seguido do grito ''presente''. O padre Sérgio, da comunidade, iniciou a celebração pedindo ''paz e justiça na Rocinha''.

 

 

Abalado, o comerciante Sebastião Cosme da Silva, 42 anos, pai de Leandro, evitou falar durante a passeata.

 

 

- Ficar calado é uma forma de pedir paz - resumiu ele.

 

 

A mãe de Liniker, a auxiliar de cozinha Maísa Ferreira, 33 anos, viu a manifestação como uma forma de conforto.

 

 

- É muito triste. Fico sem ação. Minha filha mais nova me pergunta todo dia se o Liniker vai voltar para casa. Isso é o que me deixa mais triste - disse Maísa.

 

 

Prima de Liniker, Carolina Costa da Silva, 16 anos, contou que ele havia acabado de receber o diploma de um curso de informática que eles fizeram juntos em Copacabana. Este mês, os dois iriam começar a estagiar numa empresa.

 

 

- Não acho justo o que fizeram com ele. Ele era um dos meus primos mais queridos. Cheguei na hora em que ele foi baleado. Liniker acordava às cinco da manhã todos os dias, era um trabalhador. Não é justo que digam que ele era traficante. Sou jovem, o que me resta é pedir paz - concluiu Carolina.

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