“Não há esperança da Justiça Social. Por isso: só na luta se espera com esperança”
Paulo Freire

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HERÓIS QUE ESTÃO SALVANDO VIDAS :  
Ana Cristina Diogo Gomes de Melo
Dra. Rosa Célia
 

VIDAS QUE FORAM RECONSTRUÍDAS:
Fabiano Minileski

HERÓIS QUE ESTÃO SALVANDO VIDAS

Mensagem de Lisa Urgo, Presidente:
Por me encontrar envolvida na área social e num novo estágio da minha vida, é impossível não perceber o esforço fenomenal das pessoas que trabalham com crianças desprivilegiadas. Essas pessoas muitas vezes passam despercebidas e em muitos casos não são recompensadas por isso.

Quando muitos descobrem o que estou fazendo, acham que é  maravilhoso – uma americana trabalhando no Brasil, nas favelas, em comunidades violentas das periferias, tentando ajudar crianças carentes de um país que não é o seu. Isso soa tão dramático e intenso. Eles se comovem e constantemente dizem “É interessante que você, uma americana, tenha vindo pra cá fazer isso, enquanto nossos próprios cidadãos não fazem nada”. Eu sempre suponho que eles dirão isso e a minha resposta é sempre a mesma, a de que eles não poderiam estar mais errados! O que estou fazendo não é um grande esforço. Na verdade para uma branca, privilegiada, cidadã americana escolarizada, as coisas vêm fácil, as portas se abrem e as pessoas me ouvem. Sou bem-vinda em todos os mundos e em todas as sociedades – Estou apenas fazendo uso destas realidades, me utilizando dessa situação para justificar os presentes que Deus me deu. Meus esforços não são nada se comparados à árdua luta destes heróis que por anos trabalham em prol das crianças e jovens desprivilegiados.

Devido à inspiração e motivação que recebo, encontrando esses heróis trabalhadores incansáveis (assistentes sociais, educadores, coordenadores de programas, escritores, professores, antropólogos, simples cidadãos), que fui levada à honrá-los, da única maneira que posso nesse momento.

Estou orgulhosa de poder incluir em nosso website esse espaço dedicado aos  “Nossos Heróis” onde, a cada três meses nós vamos mostrar um dos muitos anjos que incansavelmente seguem seus sonhos de melhorar a vida da juventude desprivilegiada brasileira, e criar um futuro mais agradável e esperançoso para elas.
Então, eu dedico esse espaço aos heróis das crianças pobres do Brasil. Obrigada pelos seus esforços, é por causa de vocês que eu sigo em frente com meu trabalho diário, em homenagem a vocês e aos jovens que vocês servem.

 

 
Ana Cristina Diogo Gomes de Melo - Inst. de Ecocidadania Juriti

Na minha infância, no interior de Pernambuco, vivendo na Casa Grande do engenho de meu pai, passei a olhar com muita tristeza a situação dos trabalhadores da cana-de-açúcar. Com seis anos de idade presenciei a força da ditadura militar querendo invadir o engenho para caçar os líderes camponeses que lá viviam. Meu pai não os deixou entrar. Todas as portas foram fechadas para ele, que terminou por perder seu engenho. Esse exemplo me fez desde cedo procurar informação sobre os problemas sociais e contribuir do meu jeito para minimizá-los. Na universidade, cursei Ciências Sociais e comecei a desenvolver experiências de educação para a cidadania em diversas comunidades de baixa renda da periferia de Recife e de Olinda. Ao sair da universidade, vivi quatro anos com o povo Tapirapé, comunidade ameríndia localizada no nordeste do Mato Grosso. Trocar os bancos da universidade pelos bancos de uma canoa me permitiu ver o mundo com um olhar mais simples, mais verdadeiro. De volta, passei a me dedicar à causa ambiental associada à cidadania e retornei à universidade para fazer uma especialização em ecologia humana. Em 1998, saí novamente de Olinda para fazer uma pesquisa sobre as Romarias de Juazeiro do Norte e me apaixonei pela região. Passei a trabalhar com crianças e adolescentes da comunidade da Boca das Cobras utilizando fotografia, desenho e textos. Fomos vencedores do Prêmio Betinho de Cidadania da Fundação Banco do Brasil, na categoria Educação. Com os recursos deste prêmio abri um pequeno escritório e instituímos a ONG Juriti, que hoje representa a razão primeira da minha vida.

 

Dra. Rosa Célia Barbosa: uma vida de luta e perseverança

10 anos após o surgimento da idéia e as primeiras conversas com pessoas, instituições e empresas representativas da sociedade brasileira, a dra. Rosa Célia, fundadora do projeto Pró Criança Cardíaca, comemora, com sua equipe de profissionais e voluntários uma década de serviços e atendimentos aos menores carentes. E com uma marca expressiva: mais de 800 cirurgias, algumas de alta complexidade, em crianças que hoje têm mais qualidade de vida.

Este projeto social, sem fins lucrativos, além de atender e examinar cerca de 40 crianças por semana proporciona um importante trabalho de inclusão social. Os pacientes recebem atendimento odontológico, para se de prevenirem de infecções cirúrgicas, tem acesso ao “Cantinho da Leitura”, que conta com mais de 100 títulos, entre eles clássicos da Literatura Infantil, como Eça de Queiroz e Aluízio de Azevedo, além de cestas básicas, roupas e ajuda de custo.

O sucesso do Pró Criança Cardíaca se deve também à qualidade e ao alto comprometimento dos médicos envolvidos com o projeto e aos colaboradores. “Meu objetivo é atender o maior número possível de crianças, sem deixar nenhuma de fora, principalmente as que necessitam de cirurgia”, afirma a cardiologista, que também pretende ampliar o leque de ações sociais que a instituição já oferece.

Motivada pela própria trajetória de vida, a cardiologista se mantém à frente do projeto com muito entusiasmo nesses 10 anos. Vinda de uma infância pobre, em Alagoas, a fundadora e diretora do Pró Criança Cardíaca passou por momentos difíceis ao se mudar para o Rio de Janeiro para cursar a faculdade de medicina. Chegou a trabalhar como cozinheira de colégio interno, auxiliar de enfermagem, secretária e professora de jardim de infância. Com esforço, conseguiu cursar a UFRJ e logo em seguida fez uma pós-graduação em Londres. Ao retornar para o Brasil foi convidada para fundar e dirigir a Unidade de Cardiologia Pediátrica do Hospital Pró Cardíaco. Em 1996, com o apoio do Hospital Pró Cardíaco e outros colaboradores, realizou o sonho de criar o Pró Criança Cardíaca destinado a menores carentes.

VIDAS QUE FORAM SALVAS:

Fabiano Minileski

Fabiano Minileski é um jovem que passou boa parte das tardes de sua infância fazendo malabarismo nos sinais de trânsito da  Zona Sul do Rio, com o objetivo de complementar a renda de sua família.
 
Após entrar no projeto Pensando Junto, Fabiano, que nunca desistiu de estudar, deixou  de ser um dos malabaristas dos sinais para se tornar um dos jovens mais assíduos, compromissados e empenhados do projeto. Sua dedicação e vontade de continuar estudando e aprendendo contribuiram para que, ao ser encaminhado pelo Pensando Junto a uma vaga de emprego, fosse selecionado para trabalhar com carteira assinada em um restaurante em São Conrado.
 
Desde então, Fabiano vem se superando, é o que nos conta a proprietária do restaurante: “Fabiano além de ser um jovem muito responsável, pontual e assíduo, aprende as atividades muito rápido e desempenha suas funções com bastante eficiência” .
 
 Desde que começou a trabalhar, Fabiano  colabora financeiramente com sua família, cobre seus próprios gastos e adquire cada dia mais experiência
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