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Ana Cristina Diogo Gomes de Melo
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Inst. de Ecocidadania Juriti
Na minha infância, no interior de Pernambuco, vivendo na Casa Grande do engenho de meu pai, passei a olhar com muita tristeza a situação dos trabalhadores da cana-de-açúcar. Com seis anos de idade presenciei a força da ditadura militar querendo invadir o engenho para caçar os líderes camponeses que lá viviam. Meu pai não os deixou entrar. Todas as portas foram fechadas para ele, que terminou por perder seu engenho. Esse exemplo me fez desde cedo procurar informação sobre os problemas sociais e contribuir do meu jeito para minimizá-los. Na universidade, cursei Ciências Sociais e comecei a desenvolver experiências de educação para a cidadania em diversas comunidades de baixa renda da periferia de Recife e de Olinda. Ao sair da universidade, vivi quatro anos com o povo Tapirapé, comunidade ameríndia localizada no nordeste do Mato Grosso. Trocar os bancos da universidade pelos bancos de uma canoa me permitiu ver o mundo com um olhar mais simples, mais verdadeiro. De volta, passei a me dedicar à causa ambiental associada à cidadania e retornei à universidade para fazer uma especialização em ecologia humana. Em 1998, saí novamente de Olinda para fazer uma pesquisa sobre as Romarias de Juazeiro do Norte e me apaixonei pela região. Passei a trabalhar com crianças e adolescentes da comunidade da Boca das Cobras utilizando fotografia, desenho e textos. Fomos vencedores do Prêmio Betinho de Cidadania da Fundação Banco do Brasil, na categoria Educação. Com os recursos deste prêmio abri um pequeno escritório e instituímos a ONG Juriti, que hoje representa a razão primeira da minha vida. |
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